Onde está o meu dinheiro?

Publicado em 06/04/2008

Muitas vezes encontramos comerciantes queixando que a situação não está boa, que apesar de trabalharem bastante e do esforço empreendido em anos de dedicação quase integral à empresa, não conseguem ser remunerados como deveriam. A pergunta que a grande maioria tem é: onde está o dinheiro? Se as vendas estão boas, as despesas não subiram tanto assim, não deveria sobrar mais dinheiro do que efetivamente tem sobrado?
Esta pergunta não é recente, aliás a criação da contabilidade em meados do século XV foi uma das respostas a esta pergunta, visto que através da contabilidade conseguimos enxergar o caminho percorrido pelo dinheiro dentro da empresa. De uma maneira muito simplista, podemos dizer que a contabilidade dividiu a empresa em duas grandes contas: Ativo e Passivo. No Passivo devem estar listados todos os credores da empresa, ou seja, todos aqueles que de alguma forma emprestaram recursos para a empresa. Nesta conta entram os próprios sócios, e os demais credores (fornecedores, instituições privadas, governos, etc). No Ativo devem estar todos os haveres da empresa, portanto retrata a forma que a empresa empregou o dinheiro, ou seja, a maneira que utilizou o dinheiro transformando-o em produtos a serem vendidos, créditos a serem recebidos, máquinas que serão utilizadas na transformação, etc. Assim a contabilidade procurou registrar e demonstrar no seus primórdios, de onde veio o dinheiro e onde este dinheiro está investido.
Por experiência, sabemos que a grande maioria dos empresários brasileiros não gosta da contabilidade ou não a utiliza como fonte de informação para a tomada de decisão e ou gestão dos seus negócios. Junte-se a isto a praticidade do empreendedor que deseja que todas as informações estejam contidas em uma folha de papel A-4 para facilitar a compreensão dos dados, temos um grande desafio: como traduzir os principais caminhos do dinheiro e exibir isto de uma maneira realmente simples e didática para o empresário?
Resumirei nas próximas linhas uma idéia geral e bem ampla do caminho percorrido pelo dinheiro dentro de uma empresa comercial, sabendo de antemão que estarei longe de esgotar o assunto, mas me darei por satisfeito se conseguir iniciar o leitor nos conceitos e idéias gerais desta linha de raciocínio.
As grandes contas onde circulam o dinheiro nas empresas comerciais são: Disponíveis, Estoques, Recebíveis e Despesas. O gráfico a seguir exemplifica o raciocínio.
 
Para começar suas atividades no varejo, toda empresa precisa de dinheiro ou de crédito para adquirir mercadorias que possam ser comercializadas. Então a primeira grande conta que temos é de “Disponíveis”, ou seja do montante de recursos que possam ser usados para compra de produtos ou para fazer frente a qualquer outra despesa que seja necessária pela empresa para transformar o disponível em negócio.
Esta é a primeira porta de entrada do dinheiro no sistema. Para transformar o “Disponível” em “Estoques”, que seria o segundo passo em uma empresa de varejo, temos que gastar com fretes, embalagens e antecipação de impostos para ficar no básico. Assim o “Estoque” se torna a segunda grande conta do nosso sistema de comércio.
Sabemos que não basta comprar produtos. Para vender estes produtos, e termos um negócio, é necessário gastar um pouco mais do disponível, pois precisamos de um local, de funcionários, móveis, energia, computadores, sistemas, impressoras e tudo mais o que cerca um varejo tradicional.
Desta maneira após a venda, transformaremos nossos “Estoques” em “Recebíveis”, pois raramente vendemos à vista. Esta nova conta “Recebíveis” se torna então, a terceira grande conta de nosso sistema. Novamente para transformarmos os “Recebíveis” em “Disponíveis” temos que gastar um pouco mais de recursos em cobrança bancárias ou internas, pagamento de impostos, etc. Assim as soma de todas as “Despesas” necessárias em cada fase da operação será a quarta grande conta de nosso sistema.
Com estes conceitos bem entendidos, fica mais fácil perceber onde pode estar o dinheiro em nosso negócio. Mas para que fique mais claro ainda é importante criarmos mecanismos de controle extremamente rígidos destes 04(quatro) grandes grupos, e através de uma análise criteriosa destas contas começarmos a perceber as relações que existem entre estes grupos. Se apurarmos corretamente, com um mecanismo confiável e a prova de falhas, poderemos dizer com certeza onde está ou foi empregado o dinheiro da empresa, e além disto conseguimos visualizar como nossas ações no dia-a-dia impactam nos números de nossa empresa.

+ informações

Receba as informações no seu e-mail:

Revistas Update & Guia ERP